Beneath the landslide

O vento frio da manhã bateu em seus olhos, e ele se sentiu vivo novamente. Já fazia muito tempo que não sentia isso, não sentiu por todo o tempo que ficou se recuperando. Mas finalmente lá estava ele – são e salvo, livre pra ir onde quisesse. Comemorou, mais uma vez, a coisa mais fantástica que jamais entendera de qualquer forma, mas que admirava incondicionalmente: a vida.

E o sistema?

Que sistema? Isso não existe. Por trás de cada sorriso, há uma multidão triste.

Quem se importa? […] Silêncio né? E essa mesma multidão ainda me diz ter fé.

(Mc Artigo e Kaon - 21 Gramas)

E a vida?

A vida é o que se tem, ora essa.

Degradê

Acordo. Um mundo se abre aos meus olhos. É algo completamente fantástico, diversificado e organizado. Um oceano de novidades se revela. A labuta, os dias, as pessoas, sempre com idéias e ideais. Após um tempo, durmo.

Acordo. Um novo mundo se abre aos meus olhos. É uma pena que ele seja exatamente igual os outros. Um mar de notícias e novidades se revela, mas são as mesmas novidades de antes. A labuta, os dias, as pessoas, sempre as mesmas, com as mesmas idéias e os mesmos ideais. Canso de tudo o que vejo. Durmo.

Acordo. O mesmo mundo porco ainda está lá. A desordem e o padrão continuam aqui. As mesmas novidades, labutas, dias, pessoas, idéias e ideais. O sentido? Cansei de procurar, em todo mundo igual de cada dia. Quero dormir pra sempre.

Talvez

E talvez as pessoas realmente escorram pelas mãos. Talvez elas não entendam. Talvez ninguém deva as amar, e nem elas mesmas se amem. Perdidos em algum lugar do tempo, amores, desilusões, tal como aprendemos e nos acostumamos desde pequenos. Talvez o devaneio daqui seja fruto da depressão, do medo, da vergonha, da raiva, do ódio, e por fim, do amor (mas só talvez). E o que sinto, na parte mais egoísta e mais interna de mim mesmo, não se controla, não se nomeia, não se entende. O vazio, que parece ainda mais vazio quando penso nele, faz-me sentir mais repugnante do que antes. Talvez eu devesse fingir esquecer tudo isso e me passar por uma pessoa normal, feliz e realizada, mas ainda com algumas ambições, como a maioria das pessoas normais deseja se mostrar. Mas infeliz, ou talvez até felizmente, é tarde demais. Talvez você que lê deva me esquecer, e talvez realmente esqueça, por ser só mais um que jamais esteve em sua vida. Sabe, é mais seguro não se arriscar, é melhor nunca viver um sonho, se ele pode não dar certo. Mas talvez eu nem tenha um sonho. Então, o esforço não faz sentido, a convivência não faz sentido, a vida não faz sentido. E que bom seria se houvesse alternativa. E que bom seria se eu pensasse da maneira como todos pensam, ou se todos pensassem da maneira como eu. Talvez pensem, mas não demonstrem, com os mesmos medos que me cercam e me putrefaz todo o tempo. Talvez não. Afinal, são só pessoas que escorrem pelas mãos e não amam nem a si mesmas. Talvez eu sempre tenha sido um suicida em potência. Adeus.